
Santana Castilho contra a educação estupidificante. Ainda bem que existe um "motor" neste país.
O novo estatuto da carreira docente é a mais recente frente de batalha entre governo, professores e sindicatos. O que lhe parece esta questão?
E a possibilidade dos pais avaliarem os professores?
É uma iniciativa populista, na senda de outras do mesmo teor. Tudo o que o governo tem feito visa agradar aos pais, colocá-los contra os professores e aliviar o esforço dos alunos. Assenta num populismo e numa demagogia insuportáveis. As reformas selvagens que têm vindo a público são música para pais ocupados e alunos mandriões e indisciplinados. Não é com elas que se acrescentará conhecimento e competência aos jovens, porque têm sido pensadas com outras motivações. Mas o objectivo mais evidente desta proposta de alteração de estatuto é o de economizar dinheiro. Por via dela é instituído um verdadeiro tecto salarial, a que ficará sujeita a maioria da classe. E, do mesmo passo, reforça-se o modelo altamente centralizado de gestão do maior grupo profissional do país. Na Coreia do Norte não se faria melhor.
Então, o novo estatuto só vem piorar ?
Então, o novo estatuto só vem piorar ?
Os sindicatos queixam-se da "perspectiva economicista" do Ministério da Educação. Será que o dinheiro não conta na educação?
Claro que o dinheiro conta e muito na educação. Mas a estafada invocação de que Portugal é dos países que mais dinheiro consagra à Educação, não passa de tirada de habilidosos. É que essa afirmação resulta sustentável por referência percentual ao produto interno bruto. Mas já o caso muda de figura se repararmos que temos um produto baixíssimo e 7% de 100 são 7, enquanto 5% de 300 são 15.
A ministra da Educação, por exemplo, classificou de excessivo o peso dos salários no orçamento do ministério. Esse excesso resulta, segundo números da OCDE recentemente divulgados, de um peso de 93% dos salários relativamente à totalidade da massa monetária em apreço, quando a média respectiva dos outros países se fica pelos 75%. Esta relação tanto pode ser alterada pela diminuição do número de assalariados como pelo aumento do orçamento, mantendo o valor global dos salários. Ou, ainda, se se quiser, pela diminuição do valor dos salários, mantendo inalterável o orçamento e o número dos contratados.
O que quero realçar é que nunca se usou tanto a linguagem dos números para documentar opiniões e sustentar teorias, procurando com isso fazer passar a ideia de que as argumentações são sólidas. O que referi é uma demonstração clara da possível manipulação dos números. Mas pior que isso é a pura ignorância maliciosa da sua expressão, para mentir.
A ministra da Educação, por exemplo, classificou de excessivo o peso dos salários no orçamento do ministério. Esse excesso resulta, segundo números da OCDE recentemente divulgados, de um peso de 93% dos salários relativamente à totalidade da massa monetária em apreço, quando a média respectiva dos outros países se fica pelos 75%. Esta relação tanto pode ser alterada pela diminuição do número de assalariados como pelo aumento do orçamento, mantendo o valor global dos salários. Ou, ainda, se se quiser, pela diminuição do valor dos salários, mantendo inalterável o orçamento e o número dos contratados.
O que quero realçar é que nunca se usou tanto a linguagem dos números para documentar opiniões e sustentar teorias, procurando com isso fazer passar a ideia de que as argumentações são sólidas. O que referi é uma demonstração clara da possível manipulação dos números. Mas pior que isso é a pura ignorância maliciosa da sua expressão, para mentir.
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Tive vergonha de mim mesma nesta recepção ao professor. Quando finalmente estava aberto o debate sobre o estado da educação em Portugal eu deixei-me absorver naquela estúpida ignorância e comodismo da plateia, de colegas meus. Calei-me. E quem cala consente. Não representei a classe dos explorados a recibos verdes, os tapa-buracos, os que são empurrados da Câmara Municipal para o Agrupamento; ninguém assume responsabilidades; somos tarefeiros; somos...os trabalhadores fantasmas! Calei-me. Fui fraca. Aquele silêncio de debate frustrado cansou-me...e eu deixei-me ficar. Shame on me...

